quarta-feira, 25 de junho de 2014

Volupti Loptuo

Estou a subir a grande colina de neve, o meu cavalo não aguenta.
Caí para cima do espesso branco do chão.
O meu companheiro quer subir à colina portanto relinchando, subindo cada vez mais alto, deixou-me para trás.


As minhas lágrimas congelam os pensamentos e não chegam a sair nesta eterna noite de caminhos pelo negro Inverno sobre a colina.
E o meu cavalo preto correu colina acima deixando-me a chorar por dentro.
Parecia trovoada ao sentir os meus pés descerem e o animal soltar-se.
Foi assim que a minha alma se sucumbiu e rompeu com a mágoa.
Parada no tempo eu fico ao ouvir a aragem que o vento trás levar as minhas roupas e meu cabelo e levar o peso das minhas mãos.
O meu corpo imóvel sente-se só pela presença da solidão do meu só pensamento e assim, começo a ouvir as vozes.
 O chamamento.
  A virtude.
   A montanha a falar comigo.
    Levanto os olhos e vejo.
     A luz da terra onde fico deitada.
      As pequenas forças regressarem.

"Força... Preciso de..."

Jovem. Estou aqui para trazer-te dor. Mas não te deixes enganar pela aparência dos meus objetivos. Eu sou luz, mas não existo só no lado luminoso da vida. Para seres criado, o nada existiu e do nada foste criado. Dei-te luz, mas na escuridão eu te criei.

"O meu cavalo abandonou-me... Mover dói... Tudo isto não vale a pena..."

Jovem... A neve que senta-se nesta colina desceu para ti. Olha para a beleza que constrói à sua e à tua volta. Sente o seu calor. O calor do seu frio. Sei que aos teus olhos também eu não passarei de mera projeção para ti. Mas erradicar as tuas emoções ou noções não é o meu propósito. Quero fazer-te levantar. E com esta neve e a luz que tens dentro de ti, irás alcançar.

"Alcançar o quê?"

Para já, a colina. Não te posso dar promessas.
Porque a vida é como um rio e um vento no baloiço do tempo. A terra que os liga pode unir-se ou pode derrubar-se. Concebe a força para levantares-te.



Música de: Kow Otani.
Texto: Maria S. J. Côrte-Real, 25 de junho de 2014