Eu penso muito em ti.
Penso muito no carinho que me darias, do quão eu iria contorcer-me, intimidada, submersa em teu peito, no teu calor...
Como eu iria abanar a cabeça, como uma boneca.
Expressar nas minhas bochechas alguns traços escondidos, como uma boneca.
Como me mostrarias o teu sorriso aconchegado, como me taparias os tracinhos da minha cara com as tuas mãos grandes e os teus dedos gordos.
Como eu iria tocá-las com as minhas...
Os pesadelos ao pé de ti não desaparecem, mas alegram-me.
A tua influência cria raízes à sua volta, raízes que ocam o seu interior...
Chegas a ser mais que todos os nomes e as definições, as analogias e a subjectividade que eu projecto em ti.
Assim eu penso que tu me agarras fortemente, na companhia de uma lágrima invisível no canto do teu olho e a superfície descende, desfazendo-se debaixo de nós, para lá das profundezas da água, e permanecemos suspensos...
No ar do sufrágio desta dor
Enquanto uma brisa resiste e desiste aos entrelaços.